Avaliando o risco de suicídio em pacientes com transtorno bipolar: entrevista com o especialista Dr. Jan A. Fawcett
Entrevistadora: Jessica E. Gould, BA Entrevistado: Dr. Jan A. Fawcett
Nota do editor: O suicídio é um resultado devastador da depressão e pacientes com transtorno bipolar passam mais tempo deprimidos do que os maníacos. Médicos que tratam pessoas com esta doença mental devem utilizar todas as ferramentas a sua disposição para prevenir o suicídio, já que trabalham com o paciente e com a família para estabilizar o humor e melhorar a função. Dr. Jan A. Fawcett, professor de psiquiatria da University of New Mexico School of Medicine em Albuquerque, dedicou sua carreira ao estudo de transtornos do humor e suicídio. Nesta entrevista com Jessica Gould do Medscape, Dr. Fawcett fornece aos médicos os recentes conhecimentos sobre avaliação e tratamento do risco de suicídio em pacientes com transtorno bipolar.
Medscape: O que você acha que os médicos deveriam considerar quando avaliam o risco de suicídio em pacientes com transtorno bipolar?
Dr. Jan A. Fawcett: Os médicos devem saber que, em média, nos Estados Unidos, um suicídio ocorre a cada 30 tentativas. Em pacientes bipolares, a média é de um suicídio para cada três tentativas, [1] o que confirma o maior risco de suicídio em pacientes com transtorno bipolar: suas tentativas são dez vezes mais letais.
Já que o comportamento suicida é muito mais provável de resultar em morte em pacientes bipolares quando comparados com o público em geral, deve-se ser tão cuidadoso quanto possível com esses pacientes. A primeira coisa que os médicos precisam saber é o atual estado do paciente e se o mesmo apresenta alguma ideação suicida.
Se o paciente vem tendo ideação suicida, o médico deve inquirir sobre planos suicidas específicos fazendo perguntas como, “Você já tentou se suicidar? Você tem pensado sobre isso? Você tem planejado isso?” Muitas pessoas têm uma ideação suicida vaga, mas não como muitos que têm planos específicos. Algumas pessoas ensaiam planos em sua mente e essa é uma situação muito séria.
Você também precisa saber se o paciente está gravemente agitado. Os pacientes bipolares muitas vezes apresentam estados de humor mistos, nos quais estão deprimidos e maníacos ao mesmo tempo. Em outras palavras, não estão eufóricos como muitos dos pacientes maníacos, eles estão irritáveis e têm energia aumentada. Esta é uma situação particularmente de risco para um paciente bipolar.
Medscape: Por que o estado bipolar misto impõe tamanho risco?
Dr. Fawcett: O estado bipolar misto, especificamente em relação à rapidez das mudanças de estado de humor, é difícil de monitorar. Você não pode tratar a depressão dos pacientes com antidepressivos porque pode induzir mudança cíclica de humor. Ainda que o paciente possa mostrar uma melhora inicial, o curso do paciente pode se deteriorar em estados mistos ou transtorno bipolar de ciclagem rápida. E a energia aumentada e a impulsividade de um estado misto combinado com a dor e a desesperança da depressão criam uma situação na qual a probabilidade de comportamento suicida aumenta. Estes são estados instáveis que devem ser prevenidos.
A outra questão, que está de acordo com algumas questões de minha própria pesquisa, é se o paciente está sofrendo de ansiedade grave, tal como representado por pensamentos ansiosos que o paciente não consegue controlar. Isto pode ser um sério fator de risco para suicídio. Em um estudo recente com 32.000 prontuários de pacientes bipolares,[2] o maior fator de risco para suicídio foi ser do sexo masculino e ter transtorno de ansiedade comórbido, comparado a ser jovem e ter um transtorno relacionado ao uso de droga, que são preditivos de tentativas de suicídio, mas não necessariamente suicídio.
Medscape: Quais são os desafios inerentes para medicar pacientes com transtorno bipolar que podem correr risco de suicídio?
Dr. Fawcett: Os pacientes deprimidos com transtorno bipolar normalmente não lembram muito bem de suas manias. Por isso, algumas vezes é difícil colher a história de uma mania anterior, porque os pacientes esquecem ou acreditam que estavam normais durante o episódio de mania. Se você tratar tais pacientes com um antidepressivo, pode piorar suas condições, colocando-os sob maior risco, caso desenvolvam humor cíclico ou estado misto. Isto é uma coisa que faz com que o tratamento de depressão em um paciente bipolar seja mais complicado quando comparado ao paciente unipolar. A outra situação desafiadora é o paciente com agitação presente ou ciclagem rápida de humor que tem que estar mais estável antes que você possa tratar sua depressão.
Medscape: Em um artigo de 2005 que você escreveu para Medscape,[3] você disse que “certas formas de psicoterapia, particularmente terapia comportamental dialética, e talvez terapia cognitivo-comportamental e terapia interpessoal podem reduzir o risco de suicídio a longo prazo.” Por favor explique isso.
Dr. Fawcett: Quando estiver avaliando pacientes com transtorno bipolar em relação ao risco de suicídio, o médico deve ter duas questões em mente. A primeira é o risco de curto prazo, que requer o tratamento da ansiedade do paciente ou da gravidade de seus ciclos de humor. Isto deve ser tratado, como discutido nesta entrevista, com medicações que possam reduzir rapidamente a ansiedade e agitação. Este não é o caso em que o paciente precisa de psicoterapia. Em controle de risco de longo prazo, no entanto, estas terapias podem ser eficazes. A terapia comportamental dialética pode ajudar pessoas com comportamento impulsivo e impulsos destrutivos, e é particularmente útil para pessoas com transtornos de personalidade, que tendem a materializar seus conflitos ao invés de pensar ou falar sobre eles. A terapia cognitivo-comportamental auxilia no estado de desesperança, que está relacionado com suicídio e o sentimento de que nada vai melhorar. A taxa de redução de suicídio é maior em pacientes bipolares que se mantêm em tratamento medicamentoso por seis meses ou mais.
Medscape: Qual é sua maior esperança em relação ao tratamento de pacientes bipolares que estão em risco de suicídio?
Dr. Fawcett: Bem, eu acredito que o reconhecimento crescente da importância da ansiedade como um sintoma passível de tratamento, visando a reduzir os riscos de suicídio, é muito importante. Isto emergiu apenas nos últimos 5-7 anos, com estudos mostrando um risco maior de comportamento suicida em pacientes com transtornos de ansiedade comórbidos. Ao mesmo tempo, Greg Simon mostrou que o suicídio, não apenas tentativas de suicídio, estava relacionado com ansiedade.[2] Sintomas de ansiedade grave podem requerer tratamento adicional com clonazepam ou medicações antipsicóticas de segunda geração, que têm sido eficazes na redução de ansiedade grave e agitação quando administradas em conjunto com outras medicações para estabilização do humor.
Medscape: Qual é o maior desafio que os médicos enfrentam para reduzir o suicídio e o risco de suicídio entre pacientes com transtorno bipolar?
Dr. Fawcett: Bom, o desafio é obter informações para poder avaliar o risco imediato de um paciente em relação ao suicídio, que é uma avaliação difícil de fazer. Todo estudo que tentou determinar preditores de suicídio chegou à conclusão de que não há preditores – ao menos não estatisticamente significantes – que possam dizer ao médico que um paciente vai cometer suicídio. Precisamos de muito mais informações em relação ao que faria o suicídio ser altamente previsto para um futuro imediato. Eu acredito que isto ajudaria muito aos médicos.
Você não pode superdiagnosticar o transtorno bipolar, mas você também não pode ignorá-lo. O médico deve saber se um paciente tem história de comportamento ou plano suicidas. Se o paciente apresenta ansiedade significante, o médico deve saber disso também, e focar o fato no tratamento, já que os antidepressivos e estabilizadores do humor, sozinhos, não auxiliam nisso.
Até o momento, é uma batalha muito penosa diagnosticar e intervir para prevenir suicídio em uma sociedade livre, na qual os pacientes têm escolhas e, devido à depressão, desesperança e desânimo, podem desistir das possibilidades de recuperação. Esta é provavelmente a tarefa mais difícil dos médicos. Estamos perdendo pessoas, precisamos encontrar meios de tratá-las. É um desafio constante.
Esta entrevista foi publicada em colaboração com NARSAD, The Mental Health Research Association.
Referências bibliográficas
Baldessarini RJ, Pompili M, Tondo L. Suicide in bipolar disorder: risks and management. CNS Spectr. 2006;11:465-471. Abstract
Simon GE, Hunkeler E, Fireman B, Lee JY, Savarino J. Risk of suicide attempt and suicide death in patients treated for bipolar disorder. Bipolar Disord. 2007; 9:526-530. Abstract
Fawcett JA. Suicide and bipolar disorder. Medscape Psychiatry & Mental Health. 2005; 10. Available at: http://www.medscape.com/viewarticle/510318_6 Accessed December 9, 2007.
Informação sobre as autoras: Entrevistadora: Jessica E. Gould, BA, escreve sobre medicina como freelancer, Washington, DC. Entrevistado: Dr. Jan A. Fawcett, professor de psiquiatria, University of New Mexico School of Medicine, departamento de psiquiatria, University of New Mexico, Albuquerque, New Mexico; professor de psiquiatria, University Medical Center, Albuquerque, New Mexico. Declaração de conflito de interesses: Os autores declaram não possuir conflito de interesses.
Se Villas-Boas vencer o clássico de domingo estabelece um registo difícil de igualar: torna-se campeão com 33 anos. O treinador do F.C. Porto não garante porém o primeiro lugar entre os campeões mais jovens do futebol português. Essa distinção continua a pertencer a Mihaly Siska.
Trata-se de um húngaro que tem uma história curiosa. Contratado pelos dragões com 18 anos, venceu dois campeonatos de Portugal como guarda-redes, ele que apesar de já ganhar mil escudos por mês (uma fortuna na época) ainda trabalhava sociedade de vinhos Borges & Irmão.
Após deixar a carreira de jogador, tornou-se treinador no Progresso e mais tarde no F.C. Porto, onde ganhou dois títulos seguidos. Curiosidade: nasceu em 1906, não se sabendo muito bem o dia. Os únicos registos apontam para 4 de Janeiro, o que significa que foi campeão com 33 anos e 109 dias.
Villas-Boas, se vencer na Luz, torna-se campeão com 33 anos e 161 dias. Quase mais dois meses que Siska, ele que mais tarde se naturalizou português: adoptou o nome de Miguel e foi sepultado num jazigo de família, no cemitério de Agramonte, no Porto, onde também está o Mausoléu do F.C. Porto.
Siska também foi campeão... na casa do Benfica
Villas-Boas não será o mais jovem treinador campeão, nem tão pouco o segundo mais jovem. Por 27 dias, o treinador portista perde também para Juca. O treinador natural de Lourenço Marques, quando Lourenço Marques ainda era Portugal, levou o Sporting ao título em 61/62 com 33 anos e 134 dias.
Foi uma história de sucesso de Juca, que começou a temporada nos juniores, foi chamado e meio da época para substituir o mítico Otto Glória e garantiu o título na última jornada, numa vitória sobre o Benfica (3-1), enquanto o F.C. Porto perdia na Cidade-Berço para o V. Guimarães.
Villas-Boas fecha o pódio dos mais jovens campeões e fecha também a lista de treinadores que conquistaram o título com 33 anos. Segue-se em quarto lugar Eriksson, que foi campeão no Benfica (82-83) quando tinha acabado de fazer 34 anos, naquela que foi a primeira época do sueco em Portugal.
Seguem-se Mário Lino (37 anos), Otto Glória e Yustrich (ambos 38 anos), Szabo e Artur Jorge (39 anos) e a fechar a lista dos dez mais jovens José Mourinho. O Special One foi campeão com 40 anos e 112 dias, menos 209 dias que Jaros Biri, campeão no Benfica (44/45) também com 40 anos.
Também fora do top ten surgem Fernando Cabrita, campeão aos 41 anos (num Benfica que teve mais dois treinadores, Fernando Riera e Otto Glória), Cândido de Oliveira, John Mortimore, Fernando Mendes e Jaime Pacheco, todos eles campeões (Benfica, Sporting e Boavista) com 42 anos.
E o mais velho campeão, já agora? Ora no plano oposto desta lista não se encontra, como muitos podem pensar, Giovanni Trapattoni. O italiano foi campeão no Benfica em 2005 com 66 anos, o que já é uma idade muito respeitável, mas ainda assim perde para um senhor de nome... Lajos Czeizeer.
Trata-se de um húngaro que orientou clubes como a Udinese, a Lázio e o Milan, somou onze títulos em vários países e orientou até a selecção italiana no decepcionante (para eles) Mundial 54. Na época da graça de 63/64, fechou a gloriosa carreira com o título nacional pelo Benfica. Tinha então 70 anos.
Lista dos campeões mais jovens:
1.º Mihaly Siska (F.C. Porto, 38/39): 33 anos e 109 dias
2.º Juca (Sporting, 61/62): 33 anos e 134 dias
3.º André Villas-Boas (F.C. Porto, 2010/11): 33 anos e 161 dias, caso vença na Luz
4.º Sven-Goran Eriksson (Benfica, 82/83): 34 anos
5.º Mário Lino (Sporting, 73/74): 37 anos
6.º Otto Glória (Benfica, 54/55): 38 anos e 105 dias
7.º Dorival Yustrich (F.C. Porto, 55/56): 38 anos e 212 dias
8.º Joseph Szabo (F.C. Porto, 34/35): 39 anos e 1 dia
9.º Artur Jorge (F.C. Porto, 84/85): 39 anos e 83 dias
10.º José Mourinho (F.C. Porto, 2002/03): 40 anos e 112 dias